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Palavra do criador


O tipo americano da raça Akita Inu, que ficou sendo conhecido como Grande Cão Japonês, freqüentemente causava constrangimento a criadores e juízes por causa das grandes diferenças físicas existentes entre ele e o japonês. Na verdade, o comentário de que, no início, a história do Grande Cão Japonês e do Akita Inu se encontram não é de todo verdadeiro, pois já no Japão do século passado existiam diferentes tipos de cães ditos Akita, mas foram os maiores e mais pesados, cruzados com cães molossos, que fizeram mais sucesso tanto junto os ocidentais como entre a maioria dos criadores da época .

O Grande Cão foi criado no Japão. Após a II Guerra Mundial, os militares americanos conheceram exemplares desse animal nas feiras típicas japonesas. Eles eram negociados juntamente com antigüidades, objetos de decoração, armaduras e espadas. Os japoneses os vendiam para os norte-americanos sob o nome de Akita, afirmando que ele seria um patrimônio nacional nipônico. Comentários fantásticos como o de que aquele era o cão dos samurais e que apenas a nobreza tinha a permissão de criá-los também não faltaram, visando a maior valorização no negócio. Também agradou muito aos americanos a aparência intimidatória daqueles animais de cara preta, certamente herança dos molossos usados na formação da raça, característica muito valorizada pelos ocidentais.

Ao chegarem ao Ocidente, esses animais conquistaram um grande número de admiradores e novas importações foram feitas, prevalecendo sempre a preferência pelos animais da linhagem Dewa, maiores, mais inteligentes e facilmente adaptáveis ao seu novo continente. Essa seria uma viagem só de ida para aqueles cães. Pouco tempo depois os japoneses determinaram que o cão existente na América não estaria mais de acordo com as novas diretrizes adotadas pelo JKC (Japan Kennel Club) e os Akitas mascarados foram considerados fora do padrão ideal para a raça em seu próprio país de origem. Porém, já existia um número muito grande de criadores espalhados pelos EUA e Europa. O desenvolvimento do Akita Americano havia se iniciado de uma maneira irreversível e ele ficava cada vez mais distante do Akita Japonês.

O Grande Cão Japonês é resultado do cruzamento de várias raças, entre elas o Tosa Inú, Pointer Alemão, Mastif Inglês e o antigo Akita de caça japonês, mas percebe-se de maneira mais direta o sangue de São Bernardos e Pastores Alemães. É um cão de guarda e companhia. Como guardião, é determinado e extremamente confiante, não temendo o confronto com um invasor ou outro animal. Com um poder de intimidação excelente, ele resolve qualquer situação de ameaça sem dificuldade, mas com uma característica bastante apreciada pelos criadores, que é o baixo nível de barulho. O Grande Cão Japonês não perde tempo latindo para gatos em cima do muro ou pessoas passando na calçada. Latidos só são comuns quando ele está preso, incapaz de averiguar se existe algum problema acontecendo.

Dono de uma poderosa mandíbula e de uma agilidade pouco comum em cães de grande porte, tem um impressionante discernimento entre quem é visita, a quem trata com indiferença, e quem é invasor, que certamente será atacado, pois como todo bom guardião ele é extremamente territorialista. Por isso mesmo, deve-se evitar criar dois animais do mesmo sexo juntos para evitar brigas pela liderança do canil.

Quem não conhece essa raça pode achar que o pouco apego ao dono é uma de suas características, o que é um grande engano. Ele é, sim, muito independente. Não fica implorando a atenção nem costuma ter atitudes estabanadas como algumas raças que pulam em seus donos quando esses chegam em casa. O Grande Cão os recepciona com respeitável submissão, mas também com muito carinho e satisfação.

É um bom companheiro, adora ficar deitado ao lado do seu dono quando esse assiste televisão e não dispensa um bom passeio nem a intimidade com a família, em momentos como, por exemplo, a hora do banho. Apesar do seu porte avantajado (um cão adulto facilmente chega aos sessenta quilos), não é difícil encontrar esses animais vivendo tranqüilamente em apartamentos e convivendo com crianças.

Um ponto interessante na criação do Grande Cão Japonês é que - com exceção dos animais completamente brancos - devido à sua grande variação de cores pode-se dizer que nenhum cão é igual a outro, pois as marcações funcionam como uma impressão digital, tornando cada animal único. No Brasil, a criação ainda é pequena mas o número de registros de nascimentos aumenta a cada ano.

Com a separação dos tipos físicos da raça Akita em duas raças diferentes, criou-se uma idéia errada de que todo animal de cara preta é Grande Cão Japonês e isso torna a escolha de um filhote uma tarefa difícil, pois o cruzamento entre os dois tipos antes da divisão da raça era muito freqüente (mesmo entre criadores profissionais) até o final dos anos 90, o que contribuiu para a sua descaracterização em vários países. Em todo mundo existem clubes e associações de criadores que visam desenvolvê-la e divulgá-la. No Brasil, os interessados devem procurar a American Akita Association.

É uma idéia errada pensar que todo cão de cara preta seria um Grande Cão Japonês, pois a máscara nem ao menos é obrigatória no padrão. Estrutura e temperamento são, sim, as grandes características da raça. Deve ser um cão pesado e forte, tipo molosso, com movimentação poderosa e temperamento equilibrado.